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Lavagem lota as ruas de Itapuã

A avenida esvaziada no trecho da praia de Placaford encheu-se, de repente, de flores e do branco da indumentária das baianas. Eram 11h30 desta quinta-feira, 16, quando cerca de 100 delas, à frente de um trio, deram início ao tradicional cortejo da última festa de largo antes do Carnaval: a Lavagem de Itapuã.

Apontada como um festejo que tem sido reduzido nos últimos anos, o cortejo atraiu muitos soteropolitanos e turistas, que seguiram até a Igreja da Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, na praça Dorival Caymmi.

Presidente da Associação de Moradores de Itapuã (AMI) e um dos organizadores da festa, Raimundo Bujão considerou a lavagem “um sucesso”. “A festa está maravilhosa. Parece que quanto mais dificultam para a gente, mais as pessoas vêm para a rua. Fico impressionado. De madrugada, as ruas lotaram”, afirmou.

Bujão referiu-se ao Bando Anunciador, grupo com percussionistas e integrantes da comunidade que percorre as ruas do bairro para anunciar a tradicional lavagem, que, em 2017, faz 112 anos. Às 5h, foi a vez da Lavagem Nativa, mantida por familiares de dona Niçu, antiga moradora já falecida.

A festa contou, ainda, com a participação da Baleia Rosa do Amor, uma estrutura inflável criada por Wally Salomão, Gilberto Gil e João Loureiro e que, há três anos, não desfilava. A baleia remete aos anos em que os animais encalhavam na praia de Itapuã e o óleo era extraído e exportado.

Resgate

Presidente da Associação das Baianas de Acarajé, Mingaus, Receptivos e Similares do Estado da Bahia (Abam), e uma das organizadoras do tradicional cortejo, Rita Santos afirmou que a entidade está tentando fazer um resgate cultural da lavagem.

“São mais de 100 anos. Não podemos perder essa tradição. Queremos que o poder público municipal e o estadual ajudem mais. A Saltur ajudou, mas não foi suficiente. Ano que vem, queremos dobrar o número de baianas na festa”, frisou.

Há mais de 30 anos, a baiana Maria do Amparo, 56, não abre mão do cortejo, vestida a caráter. “A festa é muito importante para nós, religiosos de matriz africana, mas mudou muito, era maior. Acho que a violência tem afastado as pessoas”, opinou.

Moradora do bairro, a aposentada Ângela Franco, 65, achou que “a tendência é acabar aos poucos”. “Participo todos os anos. Enquanto tiver vida, virei. Mas a cada ano está mais fraca. Acho que pode acabar por falta de apoio e de pessoas que saibam correr atrás de patrocínio porque não dá para esperar o poder público”, disse.

A ambulante Balbina Nascimento, 42, lamentou o enfraquecimento do evento. Ela chegou às 5h e, às 10h30, não havia vendido uma água sequer: “Antigamente, uma hora dessas, já teria tirado o dinheiro que investi”.

Às 12h45, o cortejo chegou à igreja e a escadaria foi lavada. A baiana Rosenice Santana, 51, fez o trajeto a pé e disse que a emoção, há mais de 30 anos, não muda: “Quando a gente chega à igreja, sinto que tudo de ruim sai, ficam as coisas boas, porque Nossa Senhora é a mãe de todos nós e é Oxum no candomblé. Ela é minha mãe”.

Fonte: http://atarde.uol.com.br/carnaval/noticias/1839609-lavagem-lota-as-ruas-de-itapua

Pesquisado por Renata Santello (Ya Renata Yewa)
Equipe Raízes do Culto de Comunicação e Espiritualidade

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